domingo, 31 de janeiro de 2021

A Chuva na Roça


Lá na serra, na região do Alto Paranaíba, a chuva caiu com força... Ventos varreram a paisagem líquida.  As árvores novas que ladeiam a casa,  coitadinhas, foram açoitadas sem dó. A chuva gritava, ensurdecedora. Eu fico pensando: pra onde voam os passarinhos? Onde se escondem? O gado procura se esconder debaixo das árvores grandes,  seu guarda-chuva. Ficam com as caras lambidas e ao contrário da chuva,  inertes. Geralmente em pé,  encostados uns nos outros. Penso que, se sabem rezar, imploram a Deus para lhes livrar dos relâmpagos mortais. E as gentes correm pra dentro de casa e ficam espiando a chuva chover.  Quem ainda fuma cigarros,  e ainda de palha,  sentado em um banco, fica fazendo todo aquele ritual de cortar o fumo, enrolar a palha e lamber as beiradas para fechar o cigarro. Daí acende e dá umas baforadas... Entre uma fumaça e outra, espia a chuva... Os olhos brilham de alegria. Sabe que a chuva é a fazedeira de vida nas roças e no curral. A chuva cai com força,  fazendo rios na ladeira, como os dois rios paralelos na minha cara. Sei lá se rios ou mares... Porque têm sal. O sal é um bom tempero. Esse que tem na lágrima tempera a emoção, que fugidia, encontrá palavras para a poesia...


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